sábado, 31 de maio de 2014

DA SÉRIE: NA VOLTA PARA CASA 01


O cara do banco de trás falava ao celular com uma moça chamada Manuela, enquanto o filho dela estava aos prantos – provavelmente fazendo pirraça por conta de algum pedido negado.

Me perdoe Miguel se eu estiver enganada!

Conversaram durante todo o trajeto que realizo diariamente. O cara, que vou chamar de João, não fazia questão de reservar sua conversa ao privado. Falava alto, ria, reclamava de terceiros e todos nos ônibus pareciam ignorar o que acabou se tornando a minha distração. João estava cansado - andara muito aquele dia - e irritado com uma ex que não parava de procurá-lo e acabava trazendo problemas para a sua atual relação. João também havia sido demitido, nesse momento sua voz ficou tremula ao falar da pilha de faturas que havia se formado em sua estante. João tinha uma aparência cansada, e não me pareceu - a priori – um cara de sorte. Dedicava seus dias a distribuir currículos e voltar para casa sabendo da responsabilidade que carregava de arcar com as despesas. Afinal, convidou sua namorada para morar com ele – acredito eu que antes dá má noticia trazida pelo ex-chefe. Para a minha surpresa e para a de Manuela, quando questionado por ela sobre sua vida amorosa, João não hesitou em dizer:

“Ela está feliz, sorri mais!”

O normal seria João fazer como nós, muitas vezes, fazemos. Levar o estresse do dia a dia para dentro de casa. Descontar em terceiros suas frustrações, incômodos ou tristezas. Cobrar da sua namorada uma ajuda ou posição. Não ter paciência para uma boa conversa, ou para ouvi-la dizer como foi seu dia. A diferença é que João transformou uma porta fechada em uma nova oportunidade, em uma chance de esbarrar com algo melhor. E, se para isso for necessário trilhar um caminho difícil, a recompensa pode valer a pena. Não sei que programas eles fazem, se ele a beija ao sair e ao chegar. Mas, se por um lado ele é azarado, por outro ela é uma mulher de sorte. Sorte porque ele enxerga nela um abrigo, porque é ali, na casinha deles, que ele escapa dos percalços da vida. Falta isso nas relações: sorrir mais. E se ele arranca gargalhadas dela em meio a uma fase ruim, imagina quando as coisas se acertarem?


Ao João eu deixo minha energia positiva. 
A você? A mesma fé na vida que ele me pareceu ter.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

TRILHA SONORA.


Ando sangrando, como Gonzaguinha. Então, quando eu soltar a minha voz - por favor - entenda. Léo Jaime quer encontrar a fórmula do amor, enquanto Lulu não deseja mal a quase ninguém. Eu fico com Frejat, desejo não parar tão cedo e que sempre exista amor pra recomeçar. Aquele amor puro, como o de Djavan, que não sabe a força que tem. Como Martinho, quero transfundir teu sague pro meu coração que é tão vagabundo. Quero ser sua menina e você meu rapaz e que, assim como o de Chico, esse amor tenha um jeito manso que é só seu.  Dou as mãos a Alceu, desço pra rua, sinto saudade. Você não me ensina a te esquecer, pobre de nós Caetano! E, assim como Jorge, vivo com medo de acordar desse sonho lindo. Você une todas as coisas e só precisa existir pra me completar. Com sorte - a mesma de Maria Rita - uno teu corpo, meu corpo, num corpo só. Elis me entende quando digo que teu sorriso é quente, me inebria e entontece. Como Alcione não sei o que fazer, é uma estranha loucura, você me vira a cabeça. Rita disse que tenho mania de você, talvez seja verdade, você me dá água na boca. Cazuza diz que sou exagerada e vivo jogada a seus pés. Fazer o que? Assim como ele, adoro um amor inventado. A você? Deixo todo amor que houver nessa vida.