Costumam
comparar o inicio de uma relação com o cheiro de um carro novo e talvez seja
verdade. Com o passar dos meses fica difícil manter o mesmo cheiro que dá lugar
a pés sujos de areia, farelos de biscoitos e possíveis problemas no motor. Se
antes o carro não enguiçava, mantinha-se limpo com mais frequência e era motivo
de orgulho ao ser exibido aos amigos, hoje esgota a pouca paciência que restou
quando o rolamento dá sinais de que a coisa não anda bem. Das duas uma: você se
livra do problema ou o conserta. Caso decida abrir mão lembre-se de que talvez
não consiga algo igual, ainda que tenha seus defeitos. Ah, e que sempre haverá
alguém interessado. Se optar por consertar o defeito ,sinto em dizer que - infelizmente - existem poucos profissionais em que se pode, de fato, confiar. Muita gente
chega com um fusível queimado e sai com um orçamento de duas páginas que
recomenda uma geral no automóvel. Por isso é preciso conhecer o que se possui, aprender
a “dar um jeito” quando preciso. Não existe intimidade sem compromisso, valor
sem afeto, relacionamento sem reciprocidade. O amor, quase sempre, exige alguma
responsabilidade. Seja pela confiança que lhe foi depositada, pela segurança
emocional do outro ou – talvez - o cuidado com as palavras que virão a ser
ditas.
Não
importam os anos, defeitos e contratempos, algumas coisas simplesmente merecem
ficar pelo que fizeram e fazem por nós.

