domingo, 27 de abril de 2014

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Quando uma pessoa decide dar as mãos à outra e embarcar em uma relação uma coisa prevalece: o desejo de estar junto – literalmente. Imagine agora amar alguém que não está fisicamente próximo de você. Não me refiro a bairros ou cidades, apesar de saber – por experiência própria – que alguns quilômetros podem apertar o coração. Falo daquela distância perturbadora que não pode ser resolvida, apenas, com um telefonema e um “completa, meu parceiro” - dito ao funcionário do posto. Durante alguns anos eu critiquei muito esses casais, listei dezenas de motivos para andar na direção oposta a deles. Um namoro “normal” já exige de nós algumas cambalhotas, piruetas e, um ou outro, duplo twist carpado para conduzir a história - que começara a ser escrita - da melhor forma. Agora, some à distância problemas rotineiros como falta de comunicação, ciúmes, ausência, inseguranças e diminua o sexo. Em hipótese alguma o resultado poderia ser positivo, concorda? Descobri que, com sorte, as coisas podem ser bem diferentes. Continuo achando que nada se compara ao olho no olho, às visitas semanais, o abraço quentinho sempre que o mundo ameaça desabar. Mas eu aprendi que quando se trata de amor, e dos laços firmados pelo mesmo, não existe o binômio certo ou errado: “desse jeito dá certo, daquele não”. Foi então que eu percebi que não é tão complexo, apesar de difícil. Seguindo a risca as “recomendações básicas” pode vingar. É uma questão de resistência, persistência e sobrevivência. Saudade deixará de ser algo legal que aumentará o amor. A insegurança sufocará e, se não tiver o mínimo de cuidado, um gol vira o campeonato inteiro, porque a paranoia anda de mãos dadas com ela. O ciúme não apimentará a relação, você vai se incomodar com aquilo que “vê” de longe e a impotência vai incomodar. A lista é longa. Tudo é potencializado pelo pequeno-grande detalhe: seu companheiro (a) não está “ali”. É nessa hora que se resiste, persiste e sobrevive, dia após dia, a tudo que lhes tem sido imposto. A vida vai testar a resiliência do casal, mas vocês sabiam que não seria fácil e que tudo que proporciona um sorriso é digno de ser defendido. No fim das contas, todo mundo sofre um pouco com a distância, por menor que seja. A espera é árdua, mas o (re)encontro é lindo.


Àqueles que estão separados – fisicamente – de quem amam: o meu voto de confiança.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

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Nunca mandei um bom-dia-amor pra ele acordar com um sorriso, muito menos me despedia ao ir embora. Eu gostava mesmo era da bagunça que, sazonalmente, eu provocava em seu quarto e na vida daquele cara que tinha tudo para fugir de mim. Nada nele me fazia querer ficar, exceto o dom de parar o tempo e a capacidade de reduzir os problemas alheios a pó. Ele sempre soube que não fomos feitos para durar mais do que duas ou três primaveras e, ainda assim, apostou todas as fichas que tinha na coisa mais instável desse mundo: eu. Era um cara bacana, pena que morreu. Calma, não literalmente. Machado de Assis certa vez, em um de seus livros, disse que possuímos duas almas: uma interna e outra externa. Nossa alma interna é responsável pelo olhar de dentro para fora, são nossos desejos, princípios, valores e a boa e velha consciência individual. Já a externa é o que de mais vulnerável e frágil possuímos. Pode ser uma aliança, um carro, uma casa. Algo construído ou conquistado, material ou simbólico. Mas que possui muito valor, o que é diferente de preço. Perder nossa alma externa, segundo Assis, nos aproxima ou, em alguns casos, nos condena a morte.


Ele me perdeu.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

FELICIDADE.



Você não pediu pra nascer, muito menos pra vir a um mundo como este. Não tem culpa dos percalços e peças que a vida lhe prega. Acomodou-se e espera as coisas mudarem: conhecer um novo amor, superar uma decepção, uma promoção cair do céu. Ao ver que permanecem inalteradas perde o pouco de fé que ainda lhe resta. O difícil mesmo é abrir mão da zona de conforto. Sairmos da inércia. Darmos o primeiro passo. O fracasso fica a 10 metros toda vez que ousamos exclamar: “Minha vida não presta!”. A grama do vizinho é mais verde, porque mal cuidamos da nossa. É preciso ter e ser muito, sempre. Enquanto o simples é deixado de lado. Menos, às vezes, é mais. Sabia? Um singelo detalhe, que traz consigo a felicidade, passa despercebido. Somos individualistas, consumistas e excessivamente moralistas. Gostamos do barulho, dos aplausos e temos ojeriza à forma mais sublime de paz: o silêncio. Ele passa a ser o barulho que mais nos perturba. O consumo ludibria e o espetáculo anestesia. Trocamos a ética pela estética. Os dias passam depressa e não nos damos conta. Permitimos que erros apaguem acertos. Mas, na verdade, é a falta de fé, esperança e atitude que o mundo não perdoa. Medo. É medo de mudar. Desligar a tv ou o celular e ligar o coração. Não deixar cair em desuso a gentileza, a gratidão. Desejamos todos os dias uma receita rápida e prática para a felicidade. Mas, para ser plena, é necessário que seja despretensiosa. O futuro precisa deixar de ser preocupação, e o passado uma algema, uma distração. A gente busca felicidade no outro e na segurança que ele pode vir a ofertar. Felicidade não se trata de onde, com quem e por que. Trata-se de querer e se permitir ser.