quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

"TEM CHEIRO DE CARRO NOVO"



Costumam comparar o inicio de uma relação com o cheiro de um carro novo e talvez seja verdade. Com o passar dos meses fica difícil manter o mesmo cheiro que dá lugar a pés sujos de areia, farelos de biscoitos e possíveis problemas no motor. Se antes o carro não enguiçava, mantinha-se limpo com mais frequência e era motivo de orgulho ao ser exibido aos amigos, hoje esgota a pouca paciência que restou quando o rolamento dá sinais de que a coisa não anda bem. Das duas uma: você se livra do problema ou o conserta. Caso decida abrir mão lembre-se de que talvez não consiga algo igual, ainda que tenha seus defeitos. Ah, e que sempre haverá alguém interessado. Se optar por consertar o defeito ,sinto em dizer que - infelizmente - existem poucos profissionais em que se pode, de fato, confiar. Muita gente chega com um fusível queimado e sai com um orçamento de duas páginas que recomenda uma geral no automóvel. Por isso é preciso conhecer o que se possui, aprender a “dar um jeito” quando preciso. Não existe intimidade sem compromisso, valor sem afeto, relacionamento sem reciprocidade. O amor, quase sempre, exige alguma responsabilidade. Seja pela confiança que lhe foi depositada, pela segurança emocional do outro ou – talvez - o cuidado com as palavras que virão a ser ditas.


Não importam os anos, defeitos e contratempos, algumas coisas simplesmente merecem ficar pelo que fizeram e fazem por nós. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

SUSTENTABILIDADE NO AMOR



Desenvolvimento sustentável está na moda, virou tendência. Um dos conceitos mais simples diz que é aquele desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. As empresas hoje não perdem tempo, a sociedade comprou o discurso e porque não aproveitar? Afinal, todo mundo quer tirar um pouquinho do peso das costas e dizer que “faz sua parte”. Minha dica? Sustentabilidade, só que dessa vez, no amor. O que é preciso para se alcançar o objetivo? Em primeiro lugar, reconhecer que os recursos não são infinitos: amor, paciência, tolerância e confiança são ótimos, mas não abuse, nem sempre são fontes renováveis. A gente, quase sempre, confunde quantidade com qualidade. O que proponho aqui é reciclar no lugar de gastar algo que não se repõe. Quando a gente com tom de orgulho diz que “esse amor resiste a tudo que lhe for imposto”, a gente acaba o fazendo passar por tudo sem se dar conta. E esse tipo de coisa só traz prejuízo para o futuro. Outra coisa que não dá para fazer é imitar o modelo de desenvolvimento dos outros, quase sempre não contamos com os mesmos recursos: experiência, igualdade e sinceridade - por exemplo. As mudanças começam dentro da gente, de forma bem sutil, cada um a seu modo. A chance de fazer o bem para quem se ama está ai, pra quem quiser, mesmo que o errado apareça e se apresente de forma tentadora. A gente perde muito tempo tentando conquistar e quando, finalmente, consegue... não conserva.


Todo mundo quer saber com quem e para onde vai, por mais torto que o caminho pareça. Uma hora a gente tem que se mexer e garantir que o amanhã aconteça. A caminhada às vezes é longa, então se cuida e... boa sorte!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O QUE O TORNA TÃO ESPECIAL?


Os sonhos que ele tem e o que faz para estar no caminho deles. Sua conversa fácil, seu sorriso frouxo e esse sentimento puro de gratidão pela vida. Sua alegria de viver e sua extrema falta de frescura. Ah, não há lugar mais quente que o seu abraço, nem mais seguro. Ele ri de si mesmo e aceita de bom grado tudo que a vida oferece – de bom ou não. Ele entende que ninguém é (per)feito pra ninguém e que isso não é um problema. Ele tem muitos amigos, ama música e desafina até na palma. Come besteira. Aguenta meu orgulho e lida – como ninguém – com meu mau humor. Entende que eu-te-amo não diz tudo e que amor é conquista. Me mostrou que um problema, ou a solução, é só uma questão de como recebemos as coisas. Me ensinou que a vida está ai para ser vivida e o que vai ser da nossa vida a gente é que decide. 

Ele me ensinou a ir em frente. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

NOSSO QUASE


Você deveria, de algum modo, notar o que espero de você. Não me leve a mal. Não é falta de paciência, vontade ou fé nisso tudo. Mas é esse “nós” sem mãos dadas, certezas ou garantia que me leva ao “até quando”. Ninguém se contenta com metade ao saber que existe algo mais. Pode ser carência, fase, ou algum medo bobo que me visitou e esqueceu de ir embora. Entenda: estar em uma relação sem ter um relacionamento, depois de algum tempo é, no mínimo, confuso. Não sei ler esse teu silêncio que ora nos une, ora me afasta. Até quando vou evitar que perceba o quanto isso tem me machucado? Me sufocado. Você tem medo de pagar o preço à vista enquanto eu parcelo, financio, encaro juros e tarifas.

Eu preciso de alguém que se permita e acredite no que sinto. Alguém, antes de tudo, disposto a aprender dia após dia, semana após semana, que futuro perfeito não existe e que o amor tem pressa. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

RELACIONAMENTOS




Uma coisa é certa: incompreensão no namoro é tudo que não deve existir. Se um não tenta de verdade entender o que se passa com o outro, não há muito o que fazer, estão fadados ao fracasso. E eu demorei a perceber isso. As coisas pioram quando começamos a nos imaginar sem a pessoa ou, na pior das hipóteses, quando encaramos essa situação como algo bom. Estar junto e não estar presente faz a gente se sentir substituível. Parece que o outro quer aproveitar qualquer oportunidade de não estar junto. E isso dói. No fim das contas devemos aprender a falar mais, sem essa coisa de separar em “erro seu e erro meu”. Porque errar é normal. Fazer algo ruim e não notar, também. Isso de encaixe perfeito a gente vai moldando com o tempo. Muito tempo. A dificuldade em se relacionar está, na verdade, em saber até onde devemos ir para – tentar – salvar algo que, até então, julgávamos tão seguro. A gente nunca sabe até onde podemos insistir, justamente porque não sabemos qual é a vontade do outro. Então, aqui vai meu conselho: pare e pense. Parece óbvio, mas analisar o que está acontecendo com bastante calma para ver o que está passando despercebido é determinante pra se decidir o que fazer. Quando as coisas degringolam um bocado a gente cansa de pensar e quer agir o quanto antes. Fixamos na cabeça a ideia de que precisamos nos empenhar mais. Eu, particularmente, acho que se empenhar mais não seja o ideal, mas se empenhar na coisa certa, entende? Eu comecei a perceber, por exemplo, que algumas coisas são consequências de problemas que nem sabíamos que existiam, justamente porque não nos foi dito. É muito difícil saber o que se passa na cabeça do outro, mas é essa aproximação que ajuda a decidir se vale ou não o esforço. Quando você descobrir o que leva o outro a fazer as coisas que faz, vai saber na hora se vale a pena se importar. Caso a resposta seja negativa, não encare como problema, e sim como libertação. O começo de uma coisa nova que vai ser mais positiva que o relacionamento.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ADEUS.






Não sei qual a sua atitude sobre a noite passada, não estou orgulhoso de mim também. Mas entenda que eu não busquei isso e não me culpe pelo que aconteceu. A bebida não pode nos servir de desculpa, mas foi um fator. Me impediu de saber como reagir ou negar. Não julguemos como algo premeditado, não foi. Não pense que não ligo pra você ou sua felicidade. Desvairadamente é com o que mais me importo, zele por ela, ainda que longe de mim. Já tumultuei um bocado a sua vida, tanto eu quanto você merecemos algo diferente, maior ou, no mínimo, menos tóxico que isso. Não faço ideia de como será a vida sem você, mas, com sorte, irei aprender. Levarei, não na memória, mas no cotidiano e nas atitudes que tomarei daqui pra frente tudo o que me foi ensinado por você. Espero que seja feliz. Sempre. Muito. Eternamente. Que nada lhe falte, amor. Espero um belo futuro e, antes de tudo, uma vida tranquila. Sei da raiva que deve estar sentindo de mim, de nós. Estamos todos. Nunca me imaginei em qualquer situação parecida contigo. Mas entenda, você tem tomado decisões que passam por cima dos sentimentos de quem a ama. Talvez com isso você cresça, assim como eu.

sábado, 19 de julho de 2014

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Nem sempre eu consigo demonstrar. Então, talvez, hoje seja o dia de ressaltar. É impossível estar perto de você e não se sentir extremamente bem. Porque, sem saber, você libera o sentimento que falta no outro. Obrigada por me doar a felicidade ultimamente.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

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Se você possui alguma rede social, com certeza, já se deparou com alguma manifestação pública em relação a algum fato ou evento. Não sou contra as pessoas que expõem sua opinião, que se posicionam contra aquilo que vai contra os seus valores, costumes, ideais ou bem-estar social. O mundo está bagunçado e tentar por em ordem o local em que se vive é, no mínimo, compreensível. O que não entendo são as críticas levantadas em relação à vida particular de algumas pessoas. E o poder que as escolhas feitas por um individuo – e que só tem efeito sobre a vida do mesmo - tem de ser encaradas como possibilidade de caos mundial. Me foi ensinado, desde pequena, que ao fazer o bem para mim não estou, necessariamente, fazendo mal ao próximo e que a vida privada do outro não me diz respeito. O racismo, a homofobia, o machismo, e todas as outras forças que permeiam as relações sociais são produto de um mesmo fator: a extrema falta de respeito com o próximo e o seu livre arbítrio. Por outro lado, minha moral também vai contra o extremismo. Porque me ensinaram que tudo em grande quantidade acaba fazendo mal, até mesmo a sede por justiça. É na ânsia de sermos justos que acabamos sendo injustos e “politicamente corretos”. Vemos maldade em uma brincadeira, palavra, comentário ou simples gesto, a principio, inocente. Criamos, então, a geração da discriminação positiva. E esquecemos que preconceito não é extinto por decreto. Mas dentre todas as justificativas a que mais me entristece é a pautada na religião, como no caso da cura gay. Decretar a alguém um futuro de punições por ser diferente e oferecer-lhe a opção da cura é, no mínimo, prepotente. A religião foi criada para que, afinal? Sempre achei que precisávamos crer em algo maior, acreditar que alguma força rege tudo, algo que nos escapa por entre os dedos e vai além da nossa compreensão. Enxerguei na religião uma forma de conforto e paz interior. Então que religião é essa que dita regras e afirma que aquele que se desviar das diretrizes divinas não é digno da vida eterna, salvação e sim de ser apresentado como o superlativo da desgraça? Que instituição é essa que faz de Deus um ditador? Não peço aqui que todos sejam coniventes com as escolhas alheias. Peço, sim, que não se rendam a algo tão pequeno e abstrato como o preconceito.

terça-feira, 1 de julho de 2014

... está digitando


- Está ocupada?
- Mais ou menos, mas pode falar.
- Preciso de um... De um conselho.
- Fala.
- Mudei meu comportamento com ele, voltei à estaca zero.
- Como? Brigaram?
- Eu o coloquei num lugar tão profundo no meu coração, bem na parte mais sensível, digamos assim. E aí, qualquer coisinha machuca muito. Às vezes em que ele me deixou lado pra sair com outras pessoas, àquela merda de foto. E aí eu tive que me forçar a esperar menos, contar menos, pra tentar colocá-lo num lugar onde não machuque tanto. Não é o começo do fim, nem é como se eu tentasse esquecer ele. É mais uma forma de autoproteção.
- Olha, eu ouvi em um programa que a gente não pode exigir tanto do amor. E na verdade eu sempre te disse isso. Tanto na época em que você não acreditava na força que duas pessoas podem ter juntas, quanto agora que você se vê e se encontra tão "frágil". O cara disse que a gente não pode pedir, cobrar ou querer que o amor resista a tudo. E eu acabei concordando. A gente não pode CRER nisso. Porque quando a gente toma como convicção o fato de que o amor resiste a tudo, nós acabamos fazendo ele passar por tudo. Entende? Também acho que, mesmo entendendo o seu lado, é preciso aceitar que as pessoas são diferentes. E essa é a graça e a desgraça da vida. O paraíso e o purgatório. Se em alguns momentos é ótimo ter alguém pra cima enquanto estamos tristes e ver esta pessoa nos reerguer, também podemos penar ao ver que essa diferença de momentos a cega, mesmo a proximidade sendo grande, impedindo que ela nos note. Que nos perceba, ali, precisando dela. É complicado. E posso estar falando besteira. Entendo o que você fez: quis menos, pra continuar querendo. Mas será que é certo ou bom você tornar ele algo "menor" do que realmente é para não se machucar? Não estou julgando não, sou a rainha da autoproteção. Mas cuidado, esse ai é o primeiro tijolinho do muro. E se ele crescer uma hora você pode se ver em cima dele, ou pior, sem conseguir subir para chegar ao outro lado. E adivinha quem está do outro lado?
- Às vezes eu penso que é só medo. Dele não me considerar como eu o considero. De não ser recíproco, sabe? Mas às vezes eu acredito que cada um tem sua forma de dar amor, e que a dele é assim mesmo. Meio silenciosa, meio distante. Só que dói. Querer a presença dele e me achar sozinho. Entende?
- A gente não pode querer receber exatamente o que doamos a alguém. Eu sei que é uma das coisas mais difíceis da vida, mas é exatamente assim. Cada um ama a sua maneira. Claro que dói, e dói muito. Mas você além da distância no que tange os sentimentos, tem a distância física. Esse seu trabalho em outro estado, essas pessoas horrorosas com quem tem sido obrigado a lidar. O melhor e único conselho que tenho a lhe dar é que tenha paciência.
- Porque você não nasceu homem pra eu me casar com você?
- Garanto que como casal socialmente aceitável não renderíamos nem a metade!
- A verdade é que a gente prefere errar com os outros, em vez de um com o outro.
- Isso é...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

L'amour



O amor age às ocultas, secretamente, sem sequer ser pressentido. Ele aparece no corpo de uma mensagem. Na surpresa de um telefonema. Dentro de um abraço ou, quem sabe, em um beijo roubado. O amor está no sexo, na alegria e melancolia. Esta na vida e também na morte - do orgulho, do medo, do "eu". O amor é frívolo e, vez ou outra, negligente. O amor testa, sempre que julga necessário, nossa resiliência. Mas em troca, este mesmo amor que por vezes foi traiçoeiro, me oferece abrigo, afago, colo. Não tem como não sorrir, não sentir esse calor no peito e certeza na alma de que passei pela minha vida e vivi um amor puro, bonito e pleno. Que conquistou tudo o que podia e merecia de mim. De nós. Um amor que me sorriu de volta e me deu a mão. Um amor que pede socorro quando preciso, que grita e reclama. Mas é também um amor que tolera, que acolhe e protege. E que, acima de tudo, me faz querer ficar. E lutar.