quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SOU ANTIGA, À MODA ANTIGA.


        Eu nunca sonhei alto, nunca tive vontades extravagantes ou ambições grandiosas. Eu sempre sonhei com pouco. Mas esse pouco, infelizmente, tornou-se raro. Sempre sonhei com a chegada do amor, porque sempre vivi de mãos dadas com a paixão. Sempre sonhei com o meu casamento e me parte o coração quando encontro alguém que perdeu a fé no amor e na vida a dois. Nunca sonhei com véu e grinalda, igreja cheia, buquê perfeito e um padre gentil que não prolongue o caminho até o “sim, eu aceito”. Mas eu sonho com o juramento antes da troca das alianças. Porque de toda a cerimônia é a parte que, quando feita com amor e sinceridade, possui maior beleza. Me encanto com a promessa de ser para sempre. Mas odeio o “até que a morte os separe”. Porque eu sonho com algo que dure mais que uma vida.
        Eu sonho com o “boa noite” e, horas depois, com o “bom dia”. Esse “bom dia” só será completo porque virá acompanhado de um sorriso genuíno que, mesmo depois de anos, me fará esquecer de respirar enquanto meu coração acelera. Ah, também sonho com noites em claro. Porque eu espero que o encanto do namoro não se perca com o passar dos anos. Com o café da manhã juntos - sempre que possível - e a espera pela volta pra casa depois de um longo dia de trabalho. Sonho com a sabedoria, por parte dos dois, para driblar o mau humor e o estresse causado pelas cobranças da vida. Sonho com a casa, decoração, filhos sujando e bagunçando tudo que acabara de ser posto em ordem. Eu não sonho com uma vida de “Amélia”, caso pareça. Não nasci pra ser dona de casa, mãe perfeita e esposa impecável. Eu nasci e cresci trocando os pés pelas mãos. E cá entre nós, não acho que isso vá mudar. Mas eu sonho com uma vida tranquila e com uma casa que acolha a mim, a minha família e a quem mais quiser. O que pode ser mais importante do que a família e o amor e zelo pela mesma?
        Uma amiga me disse esses dias que com vinte anos é muito cedo pra pirar. Olha que frase! Mas a gente pira, surta e se desespera o tempo todo. Minha vida nunca foi uma maré calma, sempre vivi cercada de tempestades e vi meu barco afundar e, como que por encanto, ressurgir diversas vezes. Então eu aguardo pelo dia que eu vou poder encostar no peito de alguém, olhar para o lado e me sentir em paz. E apenas apreciar a paisagem. Eu sei que parece bobeira planejar o futuro e contar com alguém nele. Acreditar que daqui a alguns anos tudo vai estar do jeitinho que a gente sonhou. Mas quando a gente ama é normal planejar. E a justificativa é uma só: a gente não se imagina sem essa pessoa. 


E quem diria...
Eu não me imagino sem você.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

SOBRE O FIM


Toda vez que presencio – de forma direta ou indireta – o fim de algum relacionamento me entristeço. Casamento, namoro, amizade, seja lá qual for a relação. Me entristece saber que histórias são interrompidas sem aviso prévio. O fim é sempre triste, a despedida também. Na vida tudo é passível de acabar – essa é a certeza que temos e não queremos. As chances de algo vingar e dar errado são as mesmas. Devemos estar preparados para deixar coisas pelo caminho, vez ou outra, caso a vida exija. Mas nem eu, nem você estamos prontos. Nunca. Às vezes penso ser uma positividade exacerbada, outras vezes muita fé no amor e no fim: ilusão. Uma ilusão maquiada pela vontade de algo eterno, por ser terno. Mas, agora, me parece melhor uma doce ilusão a uma amarga realidade.


Caso a realidade bata a porta, não de desespere, todo fim traz consigo a chance de um recomeço.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

- AFINAL, O QUE VOCÊ VIU NELE?

- Eu vi tudo o que eu não vi no meu melhor amigo e no meu ex-namorado. Eu vi bondade, vi pureza e - até certo ponto - delicadeza. Em contrapartida eu vi força, garra, ambição. Eu vi sonhos. E quis compartilhar deles desde o primeiro dia. Eu vi, dia após dia, sem pressa alguma, um sentimento crescer, duas pessoas mudarem, uma história ser construída, dois passados esquecidos, um presente aproveitado e um futuro planejado. Eu vi compreensão, acima de tudo. E um reconhecimento diário por cada vitória nossa. Eu me vi nele. Entende? Além de ver eu encontrei. Encontrei amor, proteção, respeito e acima de tudo paz. Descobri algumas coisas também. Descobri que duas pessoas podem se amar com tanta força que, mesmo com o universo conspirando contra, o que for pra ser vigora. Perdura. E fica cada dia mais forte. Descobri que o destino existe e age sobre nossas vidas quando julga necessário. Descobri também que amor não tem hora marcada, dia agendado e pessoa certa. Ah, e que isso de que opostos se atraem é besteira. Tá pra nascer pessoa mais parecida comigo. Descobri, com a ajuda dele, que vale a pena ter fé no amor. E, além disso, que eu posso dar a mão a alguém confiando que ela não soltará. Aliás, confiar foi uma das melhores coisas que herdei dessa relação. Pude, finalmente, fechar os olhos. E sentir que era e vai continuar sendo reciproco, porque dessa vez vai valer a pena. Eu mudei também, e acho que isso é fácil perceber. Eu olho pra traz e não me imagino dizendo metade das coisas que disse agora pra qualquer pessoa que tenha cruzado o meu caminho no passado. Eu abri mão de orgulho, ego, hábitos, e manias. E se fosse preciso, faria tudo de novo. Eu vivi durante anos sem acreditar em alma gêmea, destino, planos e “felizes para sempre”. Agora eu me apego a isso tudo e dou uma piscadinha pra Deus toda noite, torço pra vontade dele ser a mesma que a minha e que compartilhar do mesmo futuro seja o melhor para os dois


Hoje é tudo por ele, pra estar com ele e ser – sempre – dele.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

GOL DE PLACA



O namoro se assemelha ao futebol. Para a tristeza – ou não – da ala feminina. Mas vale, antes de tudo, salientar as diferenças. Neste jogo não há apenas dois tempos de quarenta e cinco minutos. Às vezes dura menos ou, com sorte, muito mais. O time é formado apenas por dois jogadores e, desta forma, o entrosamento precisa ser grande. Deve-se evitar o uso de jogadores reservas, o rendimento do time, geralmente, cai e muitas vezes ele pode acabar indo parar na segundona e dai por diante as coisas só pioram. As substituições no decorrer da partida também não acrescentam ao time, o entrosamento cai, e desentendimentos podem acabar surgindo. Quem apita o jogo é a Confiança e ela tem autoridade máxima durante a partida, e fica de olhos atentos para qualquer infração que venha a ocorrer. Vem munida de dois cartões: o amarelo, conhecido como a boa e velha DR, e o vermelho, a expulsão – fim do namoro. Conta com a ajuda de dois assistentes, mas estejam atentos a eles. Tanto pode contar com a ajuda de um assistente integro – um amigo de infância, por exemplo. Como pode esbarrar com alguém que foi comprado, um desses “amigos (as)” que não vêem futuro no relacionamento e, vez ou outra, simulam uma infração para prejudicar o time em questão. Pode isso, Arnaldo? O técnico é o Coração e, infelizmente, às vezes ele pode ser tendencioso. Não é por mal, mas ele dá o sangue pelo time, entendem? Nesses momentos ele conta com a Razão, a sua assistente. Ela mantém os seus pés no chão sempre que possível e auxilia na tomada de decisões. O time adversário é sempre o mesmo: o Término. O que não torna a disputa menos difícil. É um time conhecido pelas puxadas de tapete que seus jogadores – que se revezam durante a partida – costumam dar. Ele conta com: Tentação, Traição, Desrespeito, Desconfiança, Insegurança, entre outros competidores. E é preciso um verdadeiro futebol arte para driblá-los. Você nem sempre conseguirá lotar o Maracanã com a sua torcida, ela muitas vezes é menos do que a do adversário. Mas sabe de uma coisa? Não há nada como vencer o campeonato. Coloca a faixa, veste a camisa dez!


E ai, já escalou seu time?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MINHA FELICIDADE


Minha felicidade vem escondida por trás de um sorriso genuíno e elusivo. Tem braços fortes e abraço apertado. Um jeito manso, sereno e protetor, mas precisa ser e sentir-se protegida. Apesar disso, não a considere frágil. Possui força imensurável e luta, todos os dias, contra a maldade alheia. Minha felicidade abriga, acolhe, acalma e – vez ou outra - inquieta. Ela dá o ar de sua graça varias vezes ao dia: seja através de uma música, de um texto, uma mensagem ou um rápido telefonema. Minha felicidade é também o meu “quem diria, logo você?” e, principalmente, o meu “nunca imaginei um dia”. É a lembrança guardada, o sonho realizado, e os planos certos de um futuro – ainda – incerto. É o que surgiu de novo e o que de ruim foi abandonado. Não permite que a lágrima escorra e que o sofrimento ocorra. Anula o medo, dissolve o orgulho. Atropela a tudo e a todos, por saber que – mesmo com tudo que lhe foi imposto – tem força pra ficar, pra existir e resistir. Minha felicidade contagia e conquista a quem, com bons olhos, a olhar. É autêntica, perene. Felicidade não é apenas ser, como dizem. É ter – você.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

NÓ CEGO.





Eles não foram feitos para ficar juntos e essa história não tem a menor chance de dar certo, segundo as más línguas. Nunca deram nada por eles separados, juntos então. Como ignoram o passado um do outro? Como resistem aos percalços da vida? São muito diferentes e estão metendo o nariz onde não devem, dizem. Mas o destino, que é bom em pregar peças o nos ensinar que o impossível é questão de prefixo, os uniu com um amor puro, genuíno. Não se conheceram por acaso, como contam, reconheceram-se um no outro quando a vida – que aposta todas as suas fichas no amor - os apresentou. Um sentimento brando, sereno, seguro de si. Não se incomodam com a pouca fé alheia no que possuem e constroem dia após dia. Cá entre nós, para eles, essa é a graça da coisa. Cruzar a linha de chegada em primeiro lugar e subir ao pódio quando ninguém acredita na sua vitória, deve ser maravilhoso. A vitória de mãos dadas com a conquista. Imagina ter essa sensação todos os dias de sua vida e – tendo um pouco de sorte – ao lado de quem se ama? Eles têm algo a seu favor: o abraço apertado, o sorriso sincero, o dia de amanhã e o amor de sempre.


Sejam felizes enquanto ainda podem, eles já são. E, acreditem, sem motivo algum.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A ROTINA DO AMOR





Todo domingo é igual. Não importa quão cansativa ou estressante a semana possa ter sido. Ainda que pela terça ou quinta-feira um desentendimento bobo tenha colocado por água abaixo os planos do fim de semana – mesmo que por dois segundos. Todo domingo insiste em ser igual. Todo domingo encontram-se na sala de estar, sentam-se no sofá - próximos à televisão. Algum tempo depois ela prepara algo para comerem enquanto ele decide que filme (não) irão assistir.  Ela o encara no momento em que ele se distrai com alguma cena inusitada e percebe que ali, ao seu lado, tem tudo o que precisa bem ao alcance das mãos. O sofá, pequeno, acolhe os dois que se acomodam ao deitar. Ele a envolve em seus braços de forma terna e eterna. Como se dentro desse abraço fosse possível que esses dois corpos formassem um só. É exatamente assim que ele a faz sentir: com ele, dele, por ele. Ele ajeita o seu corpo sobre o dela e a observa, com um olhar fixo, constrangendo aquela que antes dele não se envergonhava ou emocionava com uma delicada demonstração de afeto. Enquanto acaricia seu rosto, em silêncio, ele a faz ter certeza de que ali, quieta, imóvel, junto a ele, é o seu lugar. Afinal, ela só precisa disso: dele, com ela, dela e por ela. Ele, enfim, adormece. E desperta com um beijo – sútil – em seu olho direito, seguido por um em seu olho esquerdo, outro na ponta de seu nariz, como se ela traçasse um caminho até, finalmente, encontrar o destino final: o sorriso, dele, ao vê-la. Ela - que ama o novo - se apega ao  “de sempre” e, todo domingo, se apaixona um pouco mais.


Amor, pra ser bom, precisa virar rotina. Amar também. 
E adivinha? Eu te amo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

RELACIONAMENTO SÉRIO








Se você está lendo esse texto porque o título sugere que tecerei alguns pensamentos sobre a relação estabelecida entre duas pessoas, está enganado. Porque relacionamento sério mesmo só existe um: o que temos com nós mesmos. Não tem pra onde correr, esse sim é até que a morte separe. Exigimos muito de nós mesmos, é inerente, eu sei. Exigimos no trabalho, nos estudos, no amor... Até ficarmos fadigados de tantas responsabilidades que são impostas a nós - por nós mesmos. Mas dentre todas as exigências uma em particular me preocupa: com nossa aparência. Essa necessidade de nos encaixarmos em um padrão e, por consequência, acabarmos faltando com gentileza com aquele que nos acompanha desde sempre: nosso corpo. As pessoas encheram-se de pudores. Sentem culpa, medo, revolta e vergonha do que vêm. Será que a gente quer atribuir à coisa mais importante que temos essa carga negativa? Andar por ai com essas ideias sobre nós mesmos? Porque não nos encararmos com gratidão, com gentileza? O nosso corpo sofre constantemente por nós. E talvez seja a hora de nós olharmos para ele e reconhecermos isso. Será que ele tem culpa dos genes que herdou? E mais ainda, da interação desses genes com o meio em que vive? Ele já sofreu acidentes e os suportou. As cicatrizes que tanto te envergonham apenas demonstram a resistência dele a essa agressão. Sinta orgulho.  Todos nós temos motivos de sobra para tratarmos nosso corpo com carinho e ter afeto por ele. Basta optarmos por nos lembrarmos dele com delicadeza e alegria.

Respeito, admiração e fidelidade não são votos que devem ser feitos apenas ao seu parceiro. À você também.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MINHA AVÓ QUE DISSE!





Minha vó sempre me alertou: quem anda com porcos, farelo come. Mas eu sempre soube que uma andorinha só não faz verão, por isso cultivei bons e velhos amigos. Aprendi, não sem relutar, que muitas vezes é melhor dar o braço a torcer antes de me meter em uma pindaíba onde a porca torce o rabo. Ela me ensinou a ser paciente e aceitar que a vida tem seu processo e é preciso respeitá-lo, dar tempo ao tempo,  para não trocar os pés pelas mãos. Afinal, de grão em grão a galinha enche o papo e devagar se vai ao longe. Me ensinou a ser humilde e não esquecer que um dia é da caça, o outro do caçador. Me deu a liberdade necessária para escolher que rumo seguir, mas não sem dizer: Não desista dos seus sonhos, NEM QUE A VACA TUSSA! E não me permitir ficar borocoxô na primeira porta que fosse fechada. Afinal, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Insistiu em me proteger de todo e qualquer perigo, mas com o tempo aprendeu que me criou para o mundo e não para ela. E que não deveria ter medo dos percalços e peças que a vida poderia me pregar, vaso ruim não quebra, ela sabe bem disso. Me ensinou a me orgulhar de onde vim e do que me tornei, e a valorizar o que tenho, mesmo que seja pouco. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando, ora. Como toda boa e velha vó me ensinou a me preparar para os dias cansativos que estavam por vir: "Saco vazio não para em pé, come mais um pouquinho". Me ensinou tudo desde pequenininha, porque ela – com toda sua sabedoria – sabe que é de pequeno que se torce o pepino. Porque depois, meu caro, não adianta chorar o leite derramado.

Minha avó é bacana à beça, um barato!