sábado, 19 de julho de 2014

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Nem sempre eu consigo demonstrar. Então, talvez, hoje seja o dia de ressaltar. É impossível estar perto de você e não se sentir extremamente bem. Porque, sem saber, você libera o sentimento que falta no outro. Obrigada por me doar a felicidade ultimamente.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

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Se você possui alguma rede social, com certeza, já se deparou com alguma manifestação pública em relação a algum fato ou evento. Não sou contra as pessoas que expõem sua opinião, que se posicionam contra aquilo que vai contra os seus valores, costumes, ideais ou bem-estar social. O mundo está bagunçado e tentar por em ordem o local em que se vive é, no mínimo, compreensível. O que não entendo são as críticas levantadas em relação à vida particular de algumas pessoas. E o poder que as escolhas feitas por um individuo – e que só tem efeito sobre a vida do mesmo - tem de ser encaradas como possibilidade de caos mundial. Me foi ensinado, desde pequena, que ao fazer o bem para mim não estou, necessariamente, fazendo mal ao próximo e que a vida privada do outro não me diz respeito. O racismo, a homofobia, o machismo, e todas as outras forças que permeiam as relações sociais são produto de um mesmo fator: a extrema falta de respeito com o próximo e o seu livre arbítrio. Por outro lado, minha moral também vai contra o extremismo. Porque me ensinaram que tudo em grande quantidade acaba fazendo mal, até mesmo a sede por justiça. É na ânsia de sermos justos que acabamos sendo injustos e “politicamente corretos”. Vemos maldade em uma brincadeira, palavra, comentário ou simples gesto, a principio, inocente. Criamos, então, a geração da discriminação positiva. E esquecemos que preconceito não é extinto por decreto. Mas dentre todas as justificativas a que mais me entristece é a pautada na religião, como no caso da cura gay. Decretar a alguém um futuro de punições por ser diferente e oferecer-lhe a opção da cura é, no mínimo, prepotente. A religião foi criada para que, afinal? Sempre achei que precisávamos crer em algo maior, acreditar que alguma força rege tudo, algo que nos escapa por entre os dedos e vai além da nossa compreensão. Enxerguei na religião uma forma de conforto e paz interior. Então que religião é essa que dita regras e afirma que aquele que se desviar das diretrizes divinas não é digno da vida eterna, salvação e sim de ser apresentado como o superlativo da desgraça? Que instituição é essa que faz de Deus um ditador? Não peço aqui que todos sejam coniventes com as escolhas alheias. Peço, sim, que não se rendam a algo tão pequeno e abstrato como o preconceito.

terça-feira, 1 de julho de 2014

... está digitando


- Está ocupada?
- Mais ou menos, mas pode falar.
- Preciso de um... De um conselho.
- Fala.
- Mudei meu comportamento com ele, voltei à estaca zero.
- Como? Brigaram?
- Eu o coloquei num lugar tão profundo no meu coração, bem na parte mais sensível, digamos assim. E aí, qualquer coisinha machuca muito. Às vezes em que ele me deixou lado pra sair com outras pessoas, àquela merda de foto. E aí eu tive que me forçar a esperar menos, contar menos, pra tentar colocá-lo num lugar onde não machuque tanto. Não é o começo do fim, nem é como se eu tentasse esquecer ele. É mais uma forma de autoproteção.
- Olha, eu ouvi em um programa que a gente não pode exigir tanto do amor. E na verdade eu sempre te disse isso. Tanto na época em que você não acreditava na força que duas pessoas podem ter juntas, quanto agora que você se vê e se encontra tão "frágil". O cara disse que a gente não pode pedir, cobrar ou querer que o amor resista a tudo. E eu acabei concordando. A gente não pode CRER nisso. Porque quando a gente toma como convicção o fato de que o amor resiste a tudo, nós acabamos fazendo ele passar por tudo. Entende? Também acho que, mesmo entendendo o seu lado, é preciso aceitar que as pessoas são diferentes. E essa é a graça e a desgraça da vida. O paraíso e o purgatório. Se em alguns momentos é ótimo ter alguém pra cima enquanto estamos tristes e ver esta pessoa nos reerguer, também podemos penar ao ver que essa diferença de momentos a cega, mesmo a proximidade sendo grande, impedindo que ela nos note. Que nos perceba, ali, precisando dela. É complicado. E posso estar falando besteira. Entendo o que você fez: quis menos, pra continuar querendo. Mas será que é certo ou bom você tornar ele algo "menor" do que realmente é para não se machucar? Não estou julgando não, sou a rainha da autoproteção. Mas cuidado, esse ai é o primeiro tijolinho do muro. E se ele crescer uma hora você pode se ver em cima dele, ou pior, sem conseguir subir para chegar ao outro lado. E adivinha quem está do outro lado?
- Às vezes eu penso que é só medo. Dele não me considerar como eu o considero. De não ser recíproco, sabe? Mas às vezes eu acredito que cada um tem sua forma de dar amor, e que a dele é assim mesmo. Meio silenciosa, meio distante. Só que dói. Querer a presença dele e me achar sozinho. Entende?
- A gente não pode querer receber exatamente o que doamos a alguém. Eu sei que é uma das coisas mais difíceis da vida, mas é exatamente assim. Cada um ama a sua maneira. Claro que dói, e dói muito. Mas você além da distância no que tange os sentimentos, tem a distância física. Esse seu trabalho em outro estado, essas pessoas horrorosas com quem tem sido obrigado a lidar. O melhor e único conselho que tenho a lhe dar é que tenha paciência.
- Porque você não nasceu homem pra eu me casar com você?
- Garanto que como casal socialmente aceitável não renderíamos nem a metade!
- A verdade é que a gente prefere errar com os outros, em vez de um com o outro.
- Isso é...