sexta-feira, 18 de julho de 2014

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Se você possui alguma rede social, com certeza, já se deparou com alguma manifestação pública em relação a algum fato ou evento. Não sou contra as pessoas que expõem sua opinião, que se posicionam contra aquilo que vai contra os seus valores, costumes, ideais ou bem-estar social. O mundo está bagunçado e tentar por em ordem o local em que se vive é, no mínimo, compreensível. O que não entendo são as críticas levantadas em relação à vida particular de algumas pessoas. E o poder que as escolhas feitas por um individuo – e que só tem efeito sobre a vida do mesmo - tem de ser encaradas como possibilidade de caos mundial. Me foi ensinado, desde pequena, que ao fazer o bem para mim não estou, necessariamente, fazendo mal ao próximo e que a vida privada do outro não me diz respeito. O racismo, a homofobia, o machismo, e todas as outras forças que permeiam as relações sociais são produto de um mesmo fator: a extrema falta de respeito com o próximo e o seu livre arbítrio. Por outro lado, minha moral também vai contra o extremismo. Porque me ensinaram que tudo em grande quantidade acaba fazendo mal, até mesmo a sede por justiça. É na ânsia de sermos justos que acabamos sendo injustos e “politicamente corretos”. Vemos maldade em uma brincadeira, palavra, comentário ou simples gesto, a principio, inocente. Criamos, então, a geração da discriminação positiva. E esquecemos que preconceito não é extinto por decreto. Mas dentre todas as justificativas a que mais me entristece é a pautada na religião, como no caso da cura gay. Decretar a alguém um futuro de punições por ser diferente e oferecer-lhe a opção da cura é, no mínimo, prepotente. A religião foi criada para que, afinal? Sempre achei que precisávamos crer em algo maior, acreditar que alguma força rege tudo, algo que nos escapa por entre os dedos e vai além da nossa compreensão. Enxerguei na religião uma forma de conforto e paz interior. Então que religião é essa que dita regras e afirma que aquele que se desviar das diretrizes divinas não é digno da vida eterna, salvação e sim de ser apresentado como o superlativo da desgraça? Que instituição é essa que faz de Deus um ditador? Não peço aqui que todos sejam coniventes com as escolhas alheias. Peço, sim, que não se rendam a algo tão pequeno e abstrato como o preconceito.

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