Se você possui alguma rede social, com certeza, já se
deparou com alguma manifestação pública em relação a algum fato ou evento. Não
sou contra as pessoas que expõem sua opinião, que se posicionam contra aquilo
que vai contra os seus valores, costumes, ideais ou bem-estar social. O mundo
está bagunçado e tentar por em ordem o local em que se vive é, no mínimo,
compreensível. O que não entendo são as críticas levantadas em relação à vida
particular de algumas pessoas. E o poder que as escolhas feitas por um individuo
– e que só tem efeito sobre a vida do mesmo - tem de ser encaradas como
possibilidade de caos mundial. Me foi ensinado, desde pequena, que ao fazer o
bem para mim não estou, necessariamente, fazendo mal ao próximo e que a vida
privada do outro não me diz respeito. O racismo, a homofobia, o machismo, e
todas as outras forças que permeiam as relações sociais são produto de um mesmo
fator: a extrema falta de respeito com o próximo e o seu livre arbítrio. Por
outro lado, minha moral também vai contra o extremismo. Porque me ensinaram que
tudo em grande quantidade acaba fazendo mal, até mesmo a sede por justiça. É na
ânsia de sermos justos que acabamos sendo injustos e “politicamente corretos”.
Vemos maldade em uma brincadeira, palavra, comentário ou simples gesto, a
principio, inocente. Criamos, então, a geração da discriminação positiva. E
esquecemos que preconceito não é extinto por decreto. Mas dentre todas as
justificativas a que mais me entristece é a pautada na religião, como no caso
da cura gay. Decretar a alguém um futuro de punições por ser diferente e
oferecer-lhe a opção da cura é, no mínimo, prepotente. A religião foi criada
para que, afinal? Sempre achei que precisávamos crer em algo maior,
acreditar que alguma força rege tudo, algo que nos escapa por entre os
dedos e vai além da nossa compreensão. Enxerguei na religião uma forma de
conforto e paz interior. Então que religião é essa que dita regras e afirma que
aquele que se desviar das diretrizes divinas não é digno da vida eterna,
salvação e sim de ser apresentado como o superlativo da desgraça? Que
instituição é essa que faz de Deus um ditador? Não peço aqui que todos sejam
coniventes com as escolhas alheias. Peço, sim, que não se rendam a algo tão
pequeno e abstrato como o preconceito.

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