Uma coisa é certa: incompreensão no
namoro é tudo que não deve existir. Se um não tenta de verdade entender o que
se passa com o outro, não há muito o que fazer, estão fadados ao fracasso. E eu
demorei a perceber isso. As coisas pioram quando começamos a nos imaginar sem a
pessoa ou, na pior das hipóteses, quando encaramos essa situação como algo bom.
Estar junto e não estar presente faz a gente se sentir substituível. Parece que
o outro quer aproveitar qualquer oportunidade de não estar junto. E isso dói.
No fim das contas devemos aprender a falar mais, sem essa coisa de separar em
“erro seu e erro meu”. Porque errar é normal. Fazer algo ruim e não notar, também. Isso
de encaixe perfeito a gente vai moldando com o tempo. Muito tempo. A
dificuldade em se relacionar está, na verdade, em saber até onde devemos ir para –
tentar – salvar algo que, até então, julgávamos tão seguro. A gente nunca sabe
até onde podemos insistir, justamente porque não sabemos qual é a vontade do
outro. Então, aqui vai meu conselho: pare e pense. Parece óbvio, mas analisar o
que está acontecendo com bastante calma para ver o que está passando
despercebido é determinante pra se decidir o que fazer. Quando as coisas
degringolam um bocado a gente cansa de pensar e quer agir o quanto antes.
Fixamos na cabeça a ideia de que precisamos nos empenhar mais. Eu, particularmente, acho que se
empenhar mais não seja o ideal, mas se empenhar na coisa certa, entende? Eu
comecei a perceber, por exemplo, que algumas coisas são consequências de
problemas que nem sabíamos que existiam, justamente porque não nos foi dito. É muito difícil saber o que se passa
na cabeça do outro, mas é essa aproximação que ajuda a decidir se vale ou não o
esforço. Quando você descobrir o que leva o outro a fazer as coisas que faz,
vai saber na hora se vale a pena se importar. Caso a resposta seja negativa,
não encare como problema, e sim como libertação. O começo de uma coisa nova que
vai ser mais positiva que o relacionamento.

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