domingo, 9 de março de 2014

POBREMA.

Já me importei mais com erros de ortografia e pontuação. Uma vírgula mal utilizada me provoca arrepios, confesso. Achar que vírgula é pausa para respiração: piorou. “Mas” e “mais” não deveriam ser confundidos. “Mal” e “mau”, também não. “Lidar” é diferente de “lhe dar”. “A gente"? Somos nós. "Agente"? O 007. “Meu nome é Bond, James Bond”, lembra? Não me levem a mal, não há uma gota de preconceito no que escrevo. Isso acontece porque eu admiro o universo das letras ou, talvez, por escrever desde que me entendo por gente. Mas uma coisa é certa: a ignorância não me assusta, não me afeta e não me enoja. A arrogância sim. De um lado a falta de conhecimento, do outro a BURRICE. Aquele preconceito, mesquinho, travestido de conhecimento. As pessoas se corrigem o tempo todo e fazem piada disso. Uma declaração passa a ser menos importante porque o remetente pecou aqui ou ali na escolha das palavras, pontuação ou qualquer outro fator que fuja da norma padrão. Um jovem passa a ser motivo de piada quando deixa escapar uma palavrinha ou outra considerada “errada”. Andamos tão defensores do binômio “certo ou errado”. A gente acaba se esquecendo de entender e se fazer entendido. E, muitas vezes, de perceber que é na simplicidade do outro que compreendemos a vida e o que acabara de ser dito. É claro, não há nada mais atraente que um texto bem escrito, um vocabulário amplo e rebuscado. Alguém discorda? Bom, eu não. Mas as palavras foram feitas para terem e darem sentido a vida. E, em um mundo onde “gentileza” e “gratidão” caíram em desuso, um erro aqui e outro acolá não são tão importantes assim.

Com a palavra, o sábio, Oswald de Andrade:

PRONOMINAIS

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco 
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

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