Esse amor é manso, sereno e, antes de tudo, maduro. Sem a agitação que a
paixão pede. Sem o medo por trás da insegurança. Não perturba a mente, não
inquieta a alma. Dispensa a ansiedade e a expectativa pela certeza do dia
seguinte. Preza o hoje. Respeita o ontem. E deseja, gentilmente, o amanhã. Esse
amor espera, não desespera. É paciente. Repousa, calmamente, sobre dois
corações que insistem em viver, apenas, um do outro. E para o outro. São mãos entrelaçadas, pés
dispostos a um belo passeio a tarde, sorrisos largos – sinceros. A fruta? Foi mordida.
O gosto? Conhecido. O desejo? Mantido. E o futuro, com sorte, garantido. Não
é perfeito, eu sei. Talvez não tenha a pretensão de ser. É melhor. Corajoso, seguro e, vez ou outra, despretensioso. Desvairadamente alegre. É afago. Sossego. Tem problemas, muitos. Mas eles viram rima, música, prosa
e poesia. É grato pelo que foi, pelo que é e por tudo que pode, um dia, quem
sabe, vir a ser. Não se mede. Dou as mãos a Shakespeare quando ele diz que amor
quando se mede é pobre, é pouco. Não basta. Esse amor não vai te deixar nas nuvens. Ele vai te dar o chão. Esse amor, o seu amor, o nosso amor é beijo, abraço, abrigo e amigo.
Cazuza sim sabia das coisas.

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