Olá,
Meu nome, idade, cor e
convicções não importam. Não hoje. Hoje o que importa é que sou mulher. Os
senhores – em maior quantidade mulheres – optaram por dizer que, caso eu me
vista de forma “provocante” ou me comporte de maneira “inadequada”, mereço ser
estuprada. Venho por meio dessa carta dizer-lhes o seguinte: ainda que eu ande
NUA na rua, estarei COBERTA de razão ao afirmar que “não é n-ã-o!”. Talvez o
seu machismo travestido de “moral e bons costumes” não permita que me
compreenda. Mas este crime hediondo, que tanto me enoja, nunca será culpa
minha. Essa carta não é sobre um crime que envolve, apenas, sexo. Envolve violência.
Um metrô lotado e, por consequência, apertado não justifica um assédio. O que
causa um estupro não é uma roupa justa ou um comportamento fora dos padrões – falando
neles: tire os seus do meu corpo – e sim o estuprador. Alguém que, cego e munido
de sua força, acaba por obrigar alguém a se submeter às suas vontades, seus
desejos e, acima de tudo, à sua crueldade. O machismo enraizou-se na sociedade.
O preconceito entranhou-se. A liberdade, infelizmente, extinguiu-se. Meu
respeito pelos senhores não depende da roupa que estão vestindo, da educação
que receberam, da classe a qual pertencem, dos bens que possuem ou da maneira
como se portam. Depende unicamente do respeito que recebo em troca. Hoje, após
saber das respostas dadas às perguntas desta pesquisa, sinto
ojeriza. Uma repugnância a tudo que esteja vinculado a este pensamento e à
aquele ou aquela que concorda com o que foi dito. O resultado? Me entristece e,
por pouco, não me faz perder a fé em um mundo mais justo, mais respeitoso e
digno de nós: mulheres. Ao senhores deixo o meu sentimento mais desprovido de valor: a pena. E ao meu corpo dedico a minha revolução.
Não vim da sua costela. Você
que veio do meu útero. Caso o meu short lhe pareça curto, sinto em
informar-lhe, seu machismo que é grande!

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