Quando uma pessoa decide dar as mãos à outra e embarcar em uma relação uma coisa prevalece: o desejo de estar junto – literalmente. Imagine agora amar alguém que não está fisicamente próximo de você. Não me refiro a bairros ou cidades, apesar de saber – por experiência própria – que alguns quilômetros podem apertar o coração. Falo daquela distância perturbadora que não pode ser resolvida, apenas, com um telefonema e um “completa, meu parceiro” - dito ao funcionário do posto. Durante alguns anos eu critiquei muito esses casais, listei dezenas de motivos para andar na direção oposta a deles. Um namoro “normal” já exige de nós algumas cambalhotas, piruetas e, um ou outro, duplo twist carpado para conduzir a história - que começara a ser escrita - da melhor forma. Agora, some à distância problemas rotineiros como falta de comunicação, ciúmes, ausência, inseguranças e diminua o sexo. Em hipótese alguma o resultado poderia ser positivo, concorda? Descobri que, com sorte, as coisas podem ser bem diferentes. Continuo achando que nada se compara ao olho no olho, às visitas semanais, o abraço quentinho sempre que o mundo ameaça desabar. Mas eu aprendi que quando se trata de amor, e dos laços firmados pelo mesmo, não existe o binômio certo ou errado: “desse jeito dá certo, daquele não”. Foi então que eu percebi que não é tão complexo, apesar de difícil. Seguindo a risca as “recomendações básicas” pode vingar. É uma questão de resistência, persistência e sobrevivência. Saudade deixará de ser algo legal que aumentará o amor. A insegurança sufocará e, se não tiver o mínimo de cuidado, um gol vira o campeonato inteiro, porque a paranoia anda de mãos dadas com ela. O ciúme não apimentará a relação, você vai se incomodar com aquilo que “vê” de longe e a impotência vai incomodar. A lista é longa. Tudo é potencializado pelo pequeno-grande detalhe: seu companheiro (a) não está “ali”. É nessa hora que se resiste, persiste e sobrevive, dia após dia, a tudo que lhes tem sido imposto. A vida vai testar a resiliência do casal, mas vocês sabiam que não seria fácil e que tudo que proporciona um sorriso é digno de ser defendido. No fim das contas, todo
mundo sofre um pouco com a distância, por menor que seja. A espera é árdua, mas
o (re)encontro é lindo.
Àqueles que estão separados – fisicamente – de quem amam:
o meu voto de confiança.

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