Você não pediu pra nascer,
muito menos pra vir a um mundo como este. Não tem culpa dos percalços e peças
que a vida lhe prega. Acomodou-se e espera as coisas mudarem: conhecer um novo
amor, superar uma decepção, uma promoção cair do céu. Ao ver que
permanecem inalteradas perde o pouco de fé que ainda lhe resta. O difícil mesmo
é abrir mão da zona de conforto. Sairmos da inércia. Darmos o primeiro passo. O
fracasso fica a 10 metros toda vez que ousamos exclamar: “Minha vida não presta!”.
A grama do vizinho é mais verde, porque mal cuidamos da nossa. É preciso ter e
ser muito, sempre. Enquanto o simples é deixado de lado. Menos, às vezes, é
mais. Sabia? Um singelo detalhe, que traz consigo a felicidade, passa
despercebido. Somos individualistas, consumistas e excessivamente moralistas.
Gostamos do barulho, dos aplausos e temos ojeriza à forma mais sublime de paz:
o silêncio. Ele passa a ser o barulho que mais nos perturba. O consumo ludibria
e o espetáculo anestesia. Trocamos a ética pela estética. Os dias passam depressa e não nos
damos conta. Permitimos que erros apaguem acertos. Mas, na verdade, é a falta
de fé, esperança e atitude que o mundo não perdoa. Medo. É medo de mudar.
Desligar a tv ou o celular e ligar o coração. Não deixar cair em desuso a
gentileza, a gratidão. Desejamos todos os dias uma receita rápida e prática
para a felicidade. Mas, para ser plena, é necessário que seja despretensiosa. O
futuro precisa deixar de ser preocupação, e o passado uma algema, uma
distração. A gente busca felicidade no outro e na segurança que ele pode vir a
ofertar. Felicidade não se trata de onde, com quem e por que. Trata-se de
querer e se permitir ser.

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