sexta-feira, 25 de abril de 2014

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Nunca mandei um bom-dia-amor pra ele acordar com um sorriso, muito menos me despedia ao ir embora. Eu gostava mesmo era da bagunça que, sazonalmente, eu provocava em seu quarto e na vida daquele cara que tinha tudo para fugir de mim. Nada nele me fazia querer ficar, exceto o dom de parar o tempo e a capacidade de reduzir os problemas alheios a pó. Ele sempre soube que não fomos feitos para durar mais do que duas ou três primaveras e, ainda assim, apostou todas as fichas que tinha na coisa mais instável desse mundo: eu. Era um cara bacana, pena que morreu. Calma, não literalmente. Machado de Assis certa vez, em um de seus livros, disse que possuímos duas almas: uma interna e outra externa. Nossa alma interna é responsável pelo olhar de dentro para fora, são nossos desejos, princípios, valores e a boa e velha consciência individual. Já a externa é o que de mais vulnerável e frágil possuímos. Pode ser uma aliança, um carro, uma casa. Algo construído ou conquistado, material ou simbólico. Mas que possui muito valor, o que é diferente de preço. Perder nossa alma externa, segundo Assis, nos aproxima ou, em alguns casos, nos condena a morte.


Ele me perdeu.

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