Essa
noite lembrei de você e da sua capacidade de fazer com que eu ou qualquer outra
pessoa se sinta viva. Por ironia, ou não, do destino a lua estava linda, como nas
poucas vezes em que você insistiu para que eu a olhasse e, como você, por
alguns instantes a admirasse – mesmo que não estivéssemos juntos. Vez ou outra,
eu esquecia do que acabara de me pedir. Me distraia com o seu olhar elusivo. Me
recordei do que admirava e admiro – é claro – em você: seu caráter. Lembrei da bagunça
que fiz na sua vida e em seu quarto – apesar de saber que a segunda foi mais
simples de organizar e pôr fim. Lembrei
de você sem o gosto amargo da despedida e sem lembrar do corte na alma causado
pela mesma. Lembrei com uma doçura peculiar à saudade. Quando o coração aperta e
a garganta, de repente, seca. Sabe? O telefone não toca e o pensamento não nega que o
adeus não decretou o fim. E não o tirou de mim. Há quem diga que não podemos
tocar a mesma água ao entrar em um rio. Passou, não volta. Saudade talvez seja
isso: águas passadas. Mas ela traz consigo a vontade de banhar-se, mais uma
vez, nessa mesma água. Saudade – sempre - tem nome e sobrenome. A minha insiste
no seu.
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