Todo domingo é igual. Não
importa quão cansativa ou estressante a semana possa ter sido. Ainda que pela
terça ou quinta-feira um desentendimento bobo tenha colocado por água abaixo os
planos do fim de semana – mesmo que por dois segundos. Todo domingo insiste em
ser igual. Todo domingo encontram-se na sala de estar, sentam-se no sofá -
próximos à televisão. Algum tempo depois ela prepara algo para comerem enquanto
ele decide que filme (não) irão assistir.
Ela o encara no momento em que ele se distrai com alguma cena inusitada
e percebe que ali, ao seu lado, tem tudo o que precisa bem ao alcance das mãos.
O sofá, pequeno, acolhe os dois que se acomodam ao deitar. Ele a envolve em
seus braços de forma terna e eterna. Como se dentro desse abraço fosse possível
que esses dois corpos formassem um só. É exatamente assim que ele a faz sentir: com ele, dele, por ele. Ele ajeita o seu corpo sobre o dela e a
observa, com um olhar fixo, constrangendo aquela que antes dele não se
envergonhava ou emocionava com uma delicada demonstração de afeto. Enquanto
acaricia seu rosto, em silêncio, ele a faz ter certeza de que ali, quieta, imóvel, junto a ele, é o seu lugar. Afinal, ela só precisa disso: dele, com ela, dela e por ela. Ele,
enfim, adormece. E desperta com um beijo – sútil – em seu olho direito, seguido
por um em seu olho esquerdo, outro na ponta de seu nariz, como se ela traçasse um
caminho até, finalmente, encontrar o destino final: o sorriso, dele, ao vê-la. Ela
- que ama o novo - se apega ao “de
sempre” e, todo domingo, se apaixona um pouco mais.
Amor, pra ser bom, precisa
virar rotina. Amar também.
E adivinha? Eu te amo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário