terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MINHA AVÓ QUE DISSE!





Minha vó sempre me alertou: quem anda com porcos, farelo come. Mas eu sempre soube que uma andorinha só não faz verão, por isso cultivei bons e velhos amigos. Aprendi, não sem relutar, que muitas vezes é melhor dar o braço a torcer antes de me meter em uma pindaíba onde a porca torce o rabo. Ela me ensinou a ser paciente e aceitar que a vida tem seu processo e é preciso respeitá-lo, dar tempo ao tempo,  para não trocar os pés pelas mãos. Afinal, de grão em grão a galinha enche o papo e devagar se vai ao longe. Me ensinou a ser humilde e não esquecer que um dia é da caça, o outro do caçador. Me deu a liberdade necessária para escolher que rumo seguir, mas não sem dizer: Não desista dos seus sonhos, NEM QUE A VACA TUSSA! E não me permitir ficar borocoxô na primeira porta que fosse fechada. Afinal, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Insistiu em me proteger de todo e qualquer perigo, mas com o tempo aprendeu que me criou para o mundo e não para ela. E que não deveria ter medo dos percalços e peças que a vida poderia me pregar, vaso ruim não quebra, ela sabe bem disso. Me ensinou a me orgulhar de onde vim e do que me tornei, e a valorizar o que tenho, mesmo que seja pouco. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando, ora. Como toda boa e velha vó me ensinou a me preparar para os dias cansativos que estavam por vir: "Saco vazio não para em pé, come mais um pouquinho". Me ensinou tudo desde pequenininha, porque ela – com toda sua sabedoria – sabe que é de pequeno que se torce o pepino. Porque depois, meu caro, não adianta chorar o leite derramado.

Minha avó é bacana à beça, um barato!

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