Minha vó sempre me alertou:
quem anda com porcos, farelo come. Mas eu sempre soube que uma andorinha só não
faz verão, por isso cultivei bons e velhos amigos. Aprendi, não sem relutar,
que muitas vezes é melhor dar o braço a torcer antes de me meter em uma
pindaíba onde a porca torce o rabo. Ela me ensinou a ser paciente e aceitar que
a vida tem seu processo e é preciso respeitá-lo, dar tempo ao tempo, para não trocar os pés pelas
mãos. Afinal, de grão em grão a galinha enche o papo e devagar se vai ao longe.
Me ensinou a ser humilde e não esquecer que um dia é da caça, o outro do
caçador. Me deu a liberdade necessária para escolher que rumo seguir, mas não sem dizer: Não desista
dos seus sonhos, NEM QUE A VACA TUSSA! E não me permitir ficar borocoxô na
primeira porta que fosse fechada. Afinal, água mole em pedra dura tanto bate
até que fura. Insistiu em me proteger de todo e qualquer perigo, mas com o
tempo aprendeu que me criou para o mundo e não para ela. E que não deveria ter
medo dos percalços e peças que a vida poderia me pregar, vaso ruim não quebra,
ela sabe bem disso. Me ensinou a me orgulhar de onde vim e do que me tornei, e
a valorizar o que tenho, mesmo que seja pouco. Mais vale um pássaro na mão do
que dois voando, ora. Como toda boa e velha vó me ensinou a me preparar para os
dias cansativos que estavam por vir: "Saco vazio não para em pé, come mais um
pouquinho". Me ensinou tudo desde pequenininha, porque ela – com toda sua
sabedoria – sabe que é de pequeno que se torce o pepino. Porque depois, meu
caro, não adianta chorar o leite derramado.
Minha avó é bacana à beça,
um barato!

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