Um grande amigo, embora
distante, certa vez me disse: a vida é simples, a gente que insiste em
complicar. Nunca consegui trazer essas palavras para a minha vida, até hoje. Talvez
ele não estivesse falando do amor, talvez tenha se referido apenas às relações
que estabelecemos, metas que estipulamos ou qualquer outra coisa – corriqueira –
do nosso dia a dia. Mas toda vez que me lembro daquela tarde na praia quando
ouvi essa frase penso no amor e na forma como nós fazemos dele algo complexo. As
pessoas têm tido medo de amar. Algumas pessoas têm subestimado o seu poder de
cura, e deixado de lhe dar o devido valor. Repare, eu disse valor, não preço.
Ainda há quem – infelizmente - pense que ele pode ser comprado. Não se engane.
Amor é presente, eu sei. Mas presente que não se encomenda, compra, ou troca.
Um belo dia a gente acorda e ele está ali, pronto pra ser aberto e descoberto.
Sem que seja necessária uma data especial, apesar de sabermos que nenhum dia se
compara a este. A verdade é que a única complexidade do amor está na nossa
falta de capacidade de doar, no lugar de pedir. De oferecer, no lugar de
cobrar. De dar tempo, ao tempo. O amor precisa ser despretensioso. É preciso
amar, apenas por amar. Sem essa necessidade de suprir sonhos, desejos, planos –
por mais lindos que sejam. O que não podemos é dar ao amor tarefas e responsabilidades. Ele
precisa ser livre, simples, puro e pleno para poder ser forte. Amor antes de tudo é abrigo,
do mundo e de nós mesmos. É protetor, e deve ser protegido. Possivelmente
acabamos exigindo demais da vida e de nós mesmos. Será que queremos atribuir
ao amor essas mesmas exigências?
Nenhum comentário:
Postar um comentário