Alguns contêm seis peças,
boa parte fica por volta das dez, outros – azarentos – mais de vinte. Mas eu
venho aqui hoje falar daqueles, poucos e sortudos, que têm a sorte de conseguir
um exemplar de apenas duas peças. Eis a única regra do jogo: montar de olhos fechados. As
aparências enganam, ludibriam e algumas vezes deslumbram. Você não vai precisar
de nada disso. Eu falo do amor! Não possui manual, muito menos garantia. Nota
fiscal nenhuma confirma a compra e você não tem um prazo de vinte dias para
trocar se houver defeito. Não possui selo do Inmetro. Procon? Nem tenta. Um jogo, como os de carta, que é pura sorte ou azar.
Não exige inteligência, cultura, vocação ou algum talento extraordinário. Você
não precisa ser bem-sucedido, possuir muitos bens e, por mais que jogue, sempre
será um iniciante. Confia em mim, você precisa apenas de sorte. Sem falar na boa dose de confiança... Primeiro para
acreditar que vale a pena. Depois para se permitir – de forma despretensiosa –
entrar nessa partida onde o segundo jogador é, muita vezes, desconhecido. E,
em terceiro, para encontrar um parceiro que se adeque e se encaixe
perfeitamente à sua peça. É mais fácil do que parece, ou mais difícil do que se
imagina: basta que você aceite quando determinada peça – vez ou outra - não se
encaixar. Não force, são peças frágeis que podem – em um momento de descuido –
se quebrar. Quando acontece sofremos verdadeiros cortes na alma. Não encaixou? Volte
ao inicio. Só não deixe, por favor, de acreditar. Confesso, o meu
não teve apenas duas peças, mas depois de algumas partidas consegui dar as mãos
a alguém e as peças, estranhamente, se encaixaram. Se eu ganhei? A gente nunca
sabe. Jogo ingrato, não? O que eu sei é que o jogo nunca acaba, porque todos os
dias é preciso conferir se a peça continua ali quietinha, bem encaixada. Se
você chegar ao final da partida não se acomode. Além de sorte o amor exige
zelo.

Poxa, muito bem escrito, e porrada no Dorival Caymmy! E q se foda! kkk Doralice trouxa!
ResponderExcluir"Doralice eu bem que lhe disse, Amar é tolice, É bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho, Ao som do lamento do meu violão" (Dorival Caymmy)