quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ALMA GÊMEA.



Existe um mito – antigo - que explica como as almas gêmeas surgiram. Ele diz que antigamente os homens eram seres completos: duas cabeças, quatro braços, quatro pernas. Eram chamados de andróginos. Existiam aqueles formados por dois homens, os formados por duas mulheres e aqueles que possuíam uma metade feminina e outra masculina. Eram seres poderosos e, por consequência de todo esse poder, passaram a se comparar com os deuses e decidiram lutar contra eles. Como castigo, foram separados de suas metades. E destinados a vagar pelo mundo em busca das mesmas.
Esse mito se perdeu ao longo dos séculos, como muitos outros, mas é inegável o fato de que nós passamos nossa vida buscando por aquele que seria a nossa metade. Aquele que nos completaria. Alguns tentam diversas metades, até encontrar a certa. E outros, nunca a encontram. Uma busca, incessante, por aquilo que nos supriria de forma plena. É lindo imaginar que existe alguém que possui tudo aquilo que nos falta. Seja aquilo que irá nos permitir sonhar, ou o que manterá nossos pés no chão. Mas, por outro lado, é desesperador imaginar que temos a necessidade de alguém. Que não conseguimos olhar nosso reflexo e nos sentirmos plenos. Acharmos que esta plenitude só será sentida quando a nossa metade for encontrada.
Sou uma fiel defensora das almas gêmeas e, é claro, do felizes-para-sempre. Me encanta imaginar que nascemos destinados a nos reconhecer em alguém, nos apaixonarmos e vivermos algo nunca antes imaginado. Com força e poder imensurável. Mas por outro lado não quero me sentir incompleta, como se faltasse um pedaço. Seria frustrante. Porque completos nós somos. Só precisamos encontrar alguém que nos permita viver e desfrutar da nossa – e da sua - plenitude. Sem que essa pessoa necessite atender a uma série de pré-requisitos. Como se fosse possível escolher a dedo o amor que nos será ofertado. A relação entre duas metades deve ser incrível, eu sei. Mas entre dois inteiros, por experiência própria, é mágica.

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