Existe um mito – antigo - que explica como as almas
gêmeas surgiram. Ele diz que antigamente os homens eram seres completos: duas cabeças,
quatro braços, quatro pernas. Eram chamados de andróginos. Existiam aqueles
formados por dois homens, os formados por duas mulheres e aqueles que possuíam
uma metade feminina e outra masculina. Eram seres poderosos e, por consequência
de todo esse poder, passaram a se comparar com os deuses e decidiram lutar
contra eles. Como castigo, foram separados de suas metades. E destinados a
vagar pelo mundo em busca das mesmas.
Esse mito se perdeu ao longo dos séculos, como muitos
outros, mas é inegável o fato de que nós passamos nossa vida buscando por
aquele que seria a nossa metade. Aquele que nos completaria. Alguns tentam
diversas metades, até encontrar a certa. E outros, nunca a encontram. Uma
busca, incessante, por aquilo que nos supriria de forma plena. É lindo imaginar
que existe alguém que possui tudo aquilo que nos falta. Seja aquilo que irá nos
permitir sonhar, ou o que manterá nossos pés no chão. Mas, por outro lado, é
desesperador imaginar que temos a necessidade de alguém. Que não conseguimos
olhar nosso reflexo e nos sentirmos plenos. Acharmos que esta plenitude só será
sentida quando a nossa metade for encontrada.
Sou uma fiel defensora das almas gêmeas e, é claro,
do felizes-para-sempre. Me encanta imaginar que nascemos destinados a nos
reconhecer em alguém, nos apaixonarmos e vivermos algo nunca antes imaginado.
Com força e poder imensurável. Mas por outro lado não quero me sentir
incompleta, como se faltasse um pedaço. Seria frustrante. Porque completos nós somos.
Só precisamos encontrar alguém que nos permita viver e desfrutar da nossa – e
da sua - plenitude. Sem que essa pessoa necessite atender a uma série de
pré-requisitos. Como se fosse possível escolher a dedo o amor que nos será
ofertado. A relação entre duas metades deve ser incrível, eu sei. Mas entre
dois inteiros, por experiência própria, é mágica.
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